Relatório n.º 4/2022

Data de publicação28 Abril 2022
Data31 Janeiro 2021
Número da edição82
SeçãoSerie II
ÓrgãoBanco Madesant - Sociedade Unipessoal, S. A.
N.º 82 28 de abril de 2022 Pág. 489
Diário da República, 2.ª série
PARTE I
BANCO MADESANT — SOCIEDADE UNIPESSOAL, S. A.
Relatório n.º 4/2022
Sumário: Contas anuais em base individual relativas ao ano de 2021.
Contas anuais em base individual, relativas ao ano de 2021
Relatório de gestão
Nos termos da lei, vimos apresentar a V. Exas. o Relatório de Gestão relativo ao exercício
findo em 31 de dezembro de 2021.
I — Atividades
No presente exercício, o Banco exerceu a atividade bancária universal compreendida no seu
objeto social, no âmbito institucional do Centro Internacional de Negócios da Madeira.
Comparativamente com o exercício anterior, as principais variações ocorridas no Balanço do
Banco, foram as seguintes:
Redução do ativo líquido de 1.196.548.271 Euros, para 1.193.468.717 Euros ( -3.0 milhões
de Euros), devido à evolução ocorrida nas rubricas de Disponibilidades em Instituições de Cré-
dito (+ 50 milhões de Euros), diminuição na rubrica de Crédito a Clientes ( -53 milhões de Euros),
respetivamente. A referida redução do Balanço, foi originada fundamentalmente pelo pagamento/
recebimento dos restantes gastos/rendimentos líquidos da atividade ( -3,1 milhões de Euros).
As principais rubricas que originaram o resultado líquido do exercício do Banco, no montante
de -3.113.728 Euros ( -3.1 milhões de Euros), foram a Margem Financeira ( -0,2 milhões de Euros),
os Outros resultados de exploração ( -0,3 milhões de Euros — fundamentalmente pelos gastos
relativos ao pagamento da Contribuição do Setor bancário e das contribuições para o Fundo de
Resolução) tendo o Banco libertado um Produto bancário negativo de -0,5 milhões de Euros. Após
os gastos correntes da atividade e do efeito dos ajustes da Imparidade relativa à aplicação da
IFRS9, o Resultado apurado antes de impostos, foi de -3,1 milhões de Euros, não havendo lugar
ao cálculo de imposto a pagar sobre o rendimento (IRC).
Seguindo a política estabelecida a direção do Banco, controla e acompanha aquelas ativida-
des sujeitas a risco, através dos diferentes Comités nas reuniões estabelecidas periodicamente.
Em cada mercado que se opera, estabelece -se a predisposição ao risco de forma coerente com
a estratégia adotada.
O Banco dispõe de Manuais de Gestão de Risco de Crédito, Risco de Mercado, Risco Estru-
tural, Risco Operacional, Risco de Compliance, Sistema de Controlo Interno e Função do Gestão
de Risco, nos quais detalham -se as políticas e práticas de gestão do risco, os procedimentos e
metodologia adotada, relativos ao controlo e medição do dito risco, o que permite uma gestão
adequada e eficaz do mesmo.
A Prevenção do Branqueamento de Capitais, nas suas diferentes ramificações e utilizações,
tem atualmente e cada dia uma maior importância no controlo do conhecimento dos canais de
receção do dinheiro, pelo que o Banco mantém um constante, rigoroso e escrupuloso controlo
nesta matéria.
Nesse sentido, é de destacar a existência do Manual de Prevenção de Branqueamento de
Capitais e Financiamento do Terrorismo, o qual foi criado dentro do quadro das recomendações
emitidas, pelo Grupo de Ação Financeira Internacional (GAFI) e pelas Autoridades Nacionais e
Internacionais, e seguindo as pautas marcadas pelo Grupo Santander nesta área.
O referido manual é revisto e atualizado periodicamente, com o fim de manter em vigor as
normas internas de atuação, e os sistemas de controlo e de comunicação, em sintonia com as
normas nacionais e internacionais e as constantes inovações de controlo e segurança do Grupo
Santander nesta matéria.
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Diário da República, 2.ª série
PARTE I
O risco de Compliance afeta a todo o pessoal do Banco, contemplando -se como uma parte
integral das atividades do negócio. O Banco é consciente da efetividade duma cultura que enfa-
tize Standards de honestidade e integridade, tanto no comportamento da Administração como da
Direção do Banco e do resto do pessoal da organização.
Em consequência, o Banco tem estruturado e nomeado o responsável para a função de Com-
pliance, de maneira consistente com a própria estratégia e estrutura da gestão do risco, respeitando
em todo momento quer o espírito quer o conteúdo da legislação, normativa e regulamentação,
aplicáveis às atividades desenvolvidas.
O Banco não é devedor de quaisquer contribuições à Segurança Social ou à Administração Fiscal.
O Conselho de Administração, como em exercícios anteriores, manifesta, neste relatório,
a sua gratidão pela colaboração eficiente e dedicada de todos os colaboradores do Banco no
decurso do presente exercício.
Projeções para o futuro próximo
De acordo com as projeções do Banco Central Europeu (BCE), o crescimento económico
deverá permanecer forte nos próximos três anos, embora o aparecimento de alguns fatores
adversos no curto prazo. Entre eles o aumento acelerado das taxas de infeção por coronaví-
rus na área do euro, o que levou à renovação das restrições à mobilidade e aos temores sobre
um prolongamento da duração da pandemia, ainda acrescentados pelo surgimento da variante
Ómicron. Como consequência, também os estrangulamentos da oferta intensificaram -se e deve-
rão perdurar mais no tempo, adiando -se a previsão de melhora para o segundo trimestre de 2022
até a expectável normalização em 2023. Este atraso reflete -se também na evolução do produto
interno bruto (PIB) real, onde a expectativa agora é que ultrapasse o seu nível anterior à crise no
primeiro trimestre de 2022 (um trimestre mais tarde do que o avançado nas projeções de setembro
de 2021), embora o crescimento deverá recuperar dinamismo já a partir de meados de 2022, de
acordo com as previsões do BCE, impulsado principalmente pelo consumo privado, apoiado em
três pilares fundamentais. A saber: a recuperação do rendimento disponível real, a reversão ao
menos parcial da poupança acumulada durante a pandemia e um mercado de trabalho com uma
taxa de desemprego projetada em mínimos desde o estabelecimento da área do euro em 1999.
Se por um lado os fatores adversos indicados pressionam à baixa o crescimento a curto prazo,
por outro lado a superação destes entraves deverá apoiar uma aceleração do mesmo a partir
do segundo trimestre de 2022, levando o PIB real, no final de 2022, a situar -se acima do nível
indicado nas projeções do BCE de setembro de 2021, resultando ainda numa revisão significa-
tiva em alta do crescimento anual esperado para 2023. O BCE espera que a inflação seja mais
elevada durante mais tempo, acabando por descer abaixo dos 2 % até ao final de 2022, ficando
em 1,8 % em 2023 e 2024. Apôs anos sem qualquer pressão sobre os preços, o que tem justifi-
cado as políticas monetárias ultra laxas e programas de “quantitative easing”, aqueles registaram
um aumento considerável nos últimos meses, atingindo a inflação o seu nível máximo no quarto
trimestre do ano. Embora significativamente mais fortes do que antecipado, considera -se que
estas pressões são na maior parte temporárias, na medida em que refletem a subida acentuada
dos preços dos produtos energéticos e os desfasamentos entre a oferta e a procura no processo
de reabertura das economias. A primeira deverá manter -se, em média, elevada em 2022, mas se
espera uma moderação pronunciada ao longo do ano, sendo os efeitos de base reforçados pela
esperada descida dos preços a medida que os stocks tenham sido repostos. Assim, em 2023 e
2024, o contributo da componente dos preços dos produtos energéticos para a inflação deverá
ser reduzido. As projeções do BCE apontam para que a inflação medida pelo IHPC excluindo
produtos energéticos e produtos alimentares diminua no decurso de 2022, face ao abrandamento
progressivo dos estrangulamentos da oferta. A partir de aí, espera -se um aumento gradual — sem
ultrapassar os 2 % — impulsada pela recuperação económica, a absorção da margem disponível
na economia e o aumento dos custos do trabalho.
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Diário da República, 2.ª série
PARTE I
Conjuntura macroeconómica e mercados financeiros
Atividade económica
Em 2021, a recuperação da atividade económica e do comércio a nível mundial foi menos
regular do que o anteriormente esperado. A evolução da pandemia abalou a confiança dos consu-
midores, mesmo na ausência de fortes medidas de contenção. Mais recentemente, o surgimento
da variante Ómicron ameaçou intensificar pandemia à escala mundial e aumentou ainda mais a
incerteza quanto à sua evolução futura. Entretanto, a atividade económica e o comércio ficaram
condicionados por outros fatores adversos, como as tensões nas redes de produção e distribuição
mundiais, as quais intensificaram-se no decurso de 2021, tendo afetado sobretudo as economias
avançadas e particularmente o setor da indústria transformadora, nomeadamente a indústria
automóvel. A destacar assim mesmo a turbulência no mercado imobiliário residencial da China
provocada pela apertada situação financeira da Evergrande e a consequente maior restrição das
políticas monetárias de algumas economias de mercado emergentes. Para limitara ainda mais a
velocidade de recuperação, a subida dos preços das matérias-primas conduziu a acumulação de
pressões inflacionistas em todo o mundo, levando os reguladores a uma mudança muito rápida
das suas posturas monetárias acomodatícias.
Como consequência e quando comparado com as projeções macroeconómicas de setembro
de 2021 elaboradas por especialistas do BCE, o crescimento do PIB real no terceiro trimestre foi
dececionante em vários países, incluindo os Estados Unidos, a China e o Reino Unido. De referir
também a influência da Índia como um player de peso no panorama mundial, pois um forte res-
surgimento de infeções por COVID -19 no segundo trimestre do ano passado provocou uma con-
tração acentuada da sua atividade económica, à que seguiu uma recuperação em “V” no terceiro
trimestre — à diferencia de várias outras economias que enfrentaram novos picos no número de
infeções nessa altura. Esta descida e subsequente recuperação da atividade apenas na Índia,
devida à sua considerável dimensão, implicou um aumento do crescimento do PIB real mundial
(sem a área do euro) no terceiro e quarto trimestre.
As perspetivas da economia mundial apontam para uma trajetória de recuperação, com
um crescimento sólido por cima de tendência somado a um “tightening” da política monetária),
embora os estrangulamentos persistentes do lado da oferta, a subida de preços das matérias-
-primas — sobretudo das energéticas —, o aparecimento da variante Ómicron do coronavírus
(COVID-19) ou a recente inesperada alteração de postura por parte da Federal Reserve americana
para uma mais restritiva, sejam fatores que continuam a pesar sobre as perspetivas de crescimento,
mas apenas no curto prazo.
As expectativas de boa parte dos analistas de mercado refletem um crescimento sólido im-
pulsado principalmente pelos mercados desenvolvidos e apoiado por um consumo estável, por
um investimento empresarial sólido e pela normalização das cadeias logísticas. Embora os riscos
associados ao aparecimento da variante Ómicron, os últimos dados parecem apontar a uma me-
nor sensibilidade do PIB global a este tipo de shocks, graças às elevadas taxas de vacinação, a
melhora do tratamento do vírus e um menor apetito pelas restrições. No entanto, existe o risco da
implementação na China de políticas “zero Covid” o que poderia afetar negativamente ao cresci-
mento do PIB a curto prazo.
De acordo com os níveis dos futuros de taxas, o mercado estaria descontando a primeira
subida de taxas nos EUA já em março de 2022. De facto, a Reserva Federal, longe de assinalar
essas assunções como erradas, continua a lhes dar suporte, por exemplo com as atas mais re-
centes do FOMC onde destacam as discussões sobre a subida de taxas antes do inicialmente
previsto e mais rápida, assim como o começo da normalização do balance substancialmente mais
próxima da primeira subida das taxas daquilo que o mercado tinha até agora antecipado. De acordo
com algumas casas de investimentos, 2022 pode ser um ano de aumento generalizado das taxas
de juro nos mercados menos desenvolvidos (EMs). As exceções a esta mudança de paradigma
seriam o Japão e a zona Euro, sendo que esta divergência de política monetária entre a FED e
os Bancos Centrais dos EMs, e o BCE e o Banco do Japão podem dar lugar a diferentes supos-
tos sobre a evolução das valorações de cada mercado. Em princípio, a valoração dos mercados

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